terça-feira, 23 de outubro de 2007

Mitologia - Ningal e Nana

NINGAL E NANA

Como a Deusa dos Sonhos encontrou o Senhor da Lua

O culto de Ningal e Nana era comum durante a Terceira Dinastia de Ur.
Mito que contém uma lição de moral para jovens enamorados: a sexualidade deve ser praticada em termos ideais dentro do contexto do matrimonio.
Um dos aspectos mais interessantes da Mesopotâmia é que apesar de ser permitida alguma liberdade para os jovens se encontrarem antes do casamento, ‘ não existe promiscuidade ou adultério entre os casais de deuses e deusas formadores do panteon mesopotâmico, ao contrário do que ocorre na literatura grega’ (Leick, 1994:35).
Ningal aqui é chamada de Deusa da Interpretação dos Sonhos, conforme Leick (1991).


Quando Nana, o Deus da Lua, o primogénito de Enlil e Ninlil, Deus e deusa do Ar, apareceu nos céus, o jovem Deus que era a Tocha brilhante de seu avô Anu, o Deus do Firmamento, ao se renovar e iluminar a luz difusa dos primeiros tempos da criação, trouxe consigo o Tempo, a medida cósmica que permite a contemplação da Eternidade através dos pequenos e grandes acontecimentos que dão significado às nossas vidas.
Pois à medida em que Nana se movia pelos céus da noite, mudando de brilho crescente a decrescente, para crescer e decrescer de novo, as portas do céu se abriam para deixar passar dias e noites, meses e anos.
E maravilha das maravilhas, a passagem de Nana fazia com que a vida entrasse em perfeita sincronia com o seu brilho de prata: as marés, a ida e vinda das enchentes da Primavera para renovar a fertilidade da terra, o crescimento dos juncos, o respirar das plantas, a abundância de leite, queijo e creme dos rebanhos, e mais do que tudo, no sangue sagrado de todas as mulheres.
Portanto, Nana, a Lua era ao mesmo tempo jovem e velho, trazendo descanso para a terra e os seres vivos, sonhos e todas as fantasias.
Amado por muitos, igualmente temido por outros tantos, o brilho da lua fazia tudo igualmente próximo e longínquo, tão perto e ao mesmo misteriosamente remoto.
Sua era uma estranheza tanto íntima quanto assustadora, pois a chegada de Nana trazia doces sonhos ou fantasias esquisitas durante o sono.
Mas se se quisesse ficar acordado e fazer companhia ao Senhor da Lua ao longo das horas pequenas da noite, Nana também concedia vigilância e iluminação para o estudante diligente dos mistérios da alma.
Uma destas estudantes era uma jovem deusa Anunaki chamada Ningal.
A jovem Ningal vivia na região dos pântanos, nas proximidades da antiga povoação de Eridu. Ningal era a filha adorada de Ningikuga, a Deusa dos Juncos e de Enki, o Deus das águas doces, da mágica e das artes.
Esbelta, de longos cabelos negros e olhos mais escuros do que noite sem luar, Ningal era quieta apenas na aparência.
Dentro, ela era dona de uma intensidade profunda e sensual, bem como tinha o dom de revelar a linguagem do desconhecido contida em imagens, lendas antigas, na poesia e, mais do que tudo, em sonhos.
Ela era naturalmente espontânea mas reservada.
Interpretar sonhos, saber a linguagem de imagens lindas e bizarras, não era um dom fácil de se ter ou compartilhar.
Por quê, pode-se muito bem perguntar?
Simplesmente porque sonhos expressam em imagens o tecer interior da vida através de símbolos, assim como também mostram o reverso secreto que o exterior de nossas vidas tenta esconder ou não quer ver.
Ningal havia aprendido, muitas vezes da forma mais difícil, que para achar o verdadeiro significado de um sonho, era necessário manter o equilíbrio entre as imagens exteriores que ela recebia, e daí levar em consideração três pontos importantes.
Primeiro, era preciso saber se estas imagens eram parte da Memória da Terra desde o inicio dos tempos ou não.
Segundo, era necessário ver se as imagens recebidas faziam parte do conhecido ou do desconhecido para ela, e terceiro, tentar entender a linguagem cifrada das imagens do sonho, para poder encontrar dentro delas as pistas para cura e compleitudo contidas nos sonhos grandes e pequenos.
Sonhos eram professores exigentes e caprichosos: o conhecimento obtido através da interpretação deles trazia tanto riso quanto lágrimas, quando o entendimento subia às maiores alturas ou descia às profundezas como estrela cadente.
No fundo, porém, Ningal sabia que apesar das lágrimas, ela não suportaria não saber, ou ignorar a essência da vida. E que talvez sabedoria para ela quisesse dizer o sorriso além das lágrimas. Desde que Ningal podia se lembrar, no mundo mágico dos pântanos, onde ilhas surgem das águas do azul mais profundo margeadas por palmeiras, ela seguia a progressão de Nana pelos céus da noite.
Uma sensação de maravilha, assombro e mistério tomava conta de Ningal sempre ela via o brilho da lua reflectido nas águas e sentia todo impacto da passagem do Senhor do Brilho de Prata no seu corpo, nas suas mudanças de humor, dentro da alma.
Mãe Ningikuga balançava a cabeça, mas nada dizia.
Ela, a sábia Deusa dos Juncos, a Soberana dos Pântanos, a grande amiga de Enki e diligente Tecelã que ensinou à humanidade a arte de tecer juncos para a construção dos primeiros templos e casas construídos pelo homem na Mesopotâmia, sabia o que a timidez natural da donzela ainda não podia revelar.
Ningal tinha-se apaixonado por Nana.
Ningikuga, portanto, apenas cuidava de Ningal, respeitava o silêncio da donzela.
Logo, tinha certeza, Ningal iria amadurecer como deusa e donzela da Casa Sagrada dos Anunaki. Então ela saberia escolher o desejado de seu coração, cantar para ele uma canção de noiva.
As Canções de Noiva falavam a respeito do desejo da donzela pelo amado, seu desejo de ir ao seu encontro, e da antecipação do prazer sexual compartilhado no Rito do Casamento Sagrado. Ningikuga sabia que logo Ningal iria amadurecer como mulher.
Então ela iria saber quem escolher, e anunciaria a escolha de seu coração numa canção de amor para o amado.
Este jovem seria Nana, porém?
A Lua teve de completar outro ciclo ao longo das estações até que finalmente Ningal encontrasse a sua voz para se dirigir ao amado pela primeira vez.
Então, uma noite, quando Nana apareceu nos céus anunciando o começo da primavera, Ningal sentiu finalmente que podia cantar para Nana a canção do seu coração, o desejo do seu corpo e o anseio da sua alma.
Será que ele iria aceitá-la?
Ningal não tinha certeza, mas com surpresa e alegria percebeu que ela esperava, mas não sofria, por Nana.

"Conhecendo Sonhos como conheço," ela constatou simplesmente para si mesma," apesar de esperar que Nana seja realmente o profundo desejo da minha alma, será que ele vai ser também a delícia do meu dia-a-dia, o meu Companheiro dos Mistérios da Vida?
Mas sem antes encontrá-lo, como poderei saber se ele é realmente o Amado, e não um Potencial Não Realizado?"

No fundo, Ningal sabia, porém, que como o leão queria apenas a sua aveludada e feroz fêmea, como o tigre só se deita com a sua tigresa, ela sonhava fazer dos braços de Nana o seu ninho, se ele se rendesse às suas carícias.
Pois então ela cantou:

- Salve, Nana, é Ningal que chama /
Salve, Nana, da noite o esplendor! /
Bem-vindo seja, ao mundo em que eu vivo /
Oh sonho mais querido, desejo abrasador. /
Vem para mim, pois quero te encontrar. /
Te conhecer, para saber te amar. /
Será você o senhor do meu desejo? /
Grande abraço pra meu beijo? /
O meu grande amor?

Naquela noite, no começo da primavera, Nana olhou para a região dos pântanos, pois havia escutado uma canção, a canção de Ningal.
O Deus da Lua ouviu a voz da donzela, viu a face de Ningal voltada para os céus, sorrindo para ele.
Nana estremeceu, pois em Ningal ele reconhecia a delícia de um Sonho profundo tornado realidade.
Pois tanto quanto ele podia-se lembrar, uma donzela tinha sido a Companheira Silenciosa das suas jornadas nocturnas, sempre retornando para cativá-lo a cada noite, no decorrer de todas as estações.
Os olhos dela, escuros e enigmáticos, sua beleza a um tempo cultivada, vivaz e silvestre tinha atraído o interesse do filho de Enlil e príncipe dos jovens deuses, desafiando-o com perguntas silenciosas e promessas mil, mesmo sem falar.
Nana viu Ningal e amou-a mais do que qualquer outra.
Desejo tão grande pela jovem deusa sentiu o Deus da Lua que imediata e impetuosamente ele desceu dos céus para ir encontrá-la na terra e lhe perguntar:

- Ningal, companheira silenciosa da minha alma que vagueia pelo espaço, as horas da noite estão chegando ao fim, e logo terei de desaparecer, para voltar apenas na noite que vêm.
Mas antes de te deixar, eu suplico que ouça o mais humilde e cortês pedido daquele que apenas ser teu melhor amigo, dos amantes, o mais querido.
Senhora do meu coração, espelho da minha alma, agora que te encontrei, meu sangue canta, meu coração bate, minha cabeça se enche de imagens maravilhosas, todas vindas de ti!
Mal posso esperar para ter-te em meus braços e compartilhar contigo todas as delícias de nossos corpos!
Portanto, Ningal, se me amares de verdade, tanto quanto eu sinto que te amo, eu te suplico que venha até mim amanhã na lagoa, próxima aos Grandes Pântanos.
Oh, senhora do meu coração, não tenha medo da escuridão, pois minha luz irá te guiar.
Nada e ninguém irá te causar tristeza ou dor, mas para assegurar a tua salvaguarda, corta alguns juncos e usa-os para abrir teus caminhos até mim.
Eu trarei ovos de pássaros para comermos, nós beberemos das águas límpidas da lagoa.
Oh, minha doce senhora, por que esperar pelo tempo certo para nos encontrarmos em público num dos próximos eventos, por que esperar tanto pelos ritos do casamento?
Amada, vem para mim, mas em segredo, para não causarmos transtornos as nossas famílias, para os mais velhos deuses e deusas desta terra, que querem os costumes sagrados seguidos ã risca, em todos os momentos!
Se realmente me amares, Ningal, como eu estou te amando, vem amanhã me encontrar, e faremos nossos melhores sonhos verdade pela primeira de muitas outras vezes!

Tomada de surpresa, mas cheia de alegria, Ningal não pensou duas vezes:

- Como tu vieste hoje até mim, adorado, com certeza amanhã irei até ti.
Tu és realmente o desejo do meu coração: não posso fugir ou recusar teu convite.
Oh, meu doce senhor, tenho sonhado contigo por tanto tempo!
Por que então devo eu, ou devemos nós esperar pelo tempo certo para nos encontrarmos, aguardar a demora dos ritos do casamento, ao invés de termos para nos dois, já, estes momentos?
Confiante na forca de ser muito amada, Ningal fez exactamente o que Nana tinha-lhe pedido, nada contando a Ningikuga sobre seu encontro com o Deus da Lua, e o outro, a caminho. Realmente, Nana tinha razão. De outra forma, levaria muito mais tempo para ambos se encontrarem, sem a companhia de amigos, irmãos ou de ambas as famílias.
De acordo com os ritos antigos, não somente o jovem casal deveria se amar, mas também ambas as famílias deveriam se dar bem.
Para encontrar Nana, Ningal passou o dia na mais alegre expectativa, fazendo cuidadosos preparativos.
Para ele, ela se banhou; para ele, ela passou óleos caros no corpo; para dar-lhe o prazer de vê-la bonita, Ningal vestiu-se com suas melhores roupas e adornos.
Intrigada, os olhos de Ningikuga seguiram os preparativos cuidadosos de Ningal.
Ningikuga ergueu uma sobrancelha inquisidora, abriu a boca uma ou duas vezes para fazer algumas perguntas, mas calou-se, resolvendo não dizer palavra alguma, não tecer qualquer comentário ate’ ser mais esclarecida sobre o que estava acontecendo com Ningal.

‘ Mamãe está me observando com tanta atenção, será que ela sabe de alguma coisa, percebeu que algo mudou?’
Perguntou-se Ningal.
‘ Talvez ela tenha percebido, mas não lhe direi nada por ora.
Mamãe e’ tão correta, gosta das coisas tão organizadas e duradouras, que se eu lhe falar alguma coisa sobre Nana, ela certamente não me deixará ir até’ ele hoje à noite.
Ou amanhã ou depois de amanhã, se não seguirmos ao pé da letra os costumes sagrados.
Isto quer dizer simplesmente que eu só poderei encontrar o meu amor no próximo grande festival, que esta’ a semanas de distancia!
Mil desculpas, mamãe, mas desta vez eu terei a palavra final sobre esta questão!

Naquela noite, quando deixou a casa de juncos , Nigal brilhava tanto quanto a lua cheia. Igualmente tão lindo quanto ela, o Deus da Lua veio em seu maior fulgor, e com todo respeito, carinho e maior das cortesias, tal qual o príncipe herdeiro dos grandes deuses ao cortejar a alta sacerdotisa antes do casamento sagrado.
Eles se encontraram em segredo, mas amaram à luz das estrelas, a céu aberto, muitas e muitas vezes ao longo de toda aquela noite e mais.
Pois noite após noite, durante aquela quinzena, até o dia em que Nana deveria partir para iluminar o Mundo Subterrâneo, o Deus da Lua e a Deusa da Interpretação dos Sonhos se encontraram para se amar.
Finalmente, veio a última noite antes do retorno de Nana para iluminar as Grandes Profundezas.
Após festejarem com alegria e reverência sua paixão, nos momentos depois do prazer compartilhado, Nana beijou Ningal e sussurrou nos cabelos dela o reconhecimento de um grande anseio que ele finalmente admitia para si e para ela:

- Case comigo, Ningal, Tocha que brilha dentro de mim, luz que sempre iluminou a minha hora mais escura.
Alegria imensa encheu o coração de Ningal, mas o brilho de Nana estava rapidamente desaparecendo do Mundo Físico.
Ningal sabia, porém, que ele estava brilhando mais do que nunca nas profundezas do Mundo Subterrâneo, dentro do seu coração, em cada célula de seu corpo e principalmente, dentro da sua alma.

- Na tua volta, adorado, ela respondeu, falaremos neste assunto.

Mas em todos os mundos, nas Esferas Superiores, no Mundo Subterrâneo, no Mundo Físico, os grandes deuses, que tudo sabem, viram o pacto de amor secreto de Nana e Ningal.
Eles, os Senhores do Equilíbrio de Todos os Mundos, aprovaram com alegria a escolha dos jovens amantes, mas ficaram intrigados pelo interesse deles em deixar em segredo uma felicidade que não deveria ser escondida.
Havia também a impetuosidade de Nana por ter seduzido Ningal, convidando-a para encontra-lo nos pântanos, sem pedir licença para os pais dela ou mesmo comunicar tal intenção aos seus.
De alguma forma o entusiasmo de Nana tinha de ser contido, pois ele deveria antes de mais nada fazer suas intenções a respeito de Ningal claras e honradas não apenas para ela, mas para todos os Anunaki.

Os grandes deuses, os Anunaki, eram os guardiões da terra, os patronos da ordem e do equilíbrio, a sustentação moral e espiritual para todos os seres vivos.
E o amor, sendo a Forca e Alegria da Vida, forma a Base da civilização, tendo portanto de ser protegido e atenciosamente preservado em todos os mundos.
Juventude não constituía uma desculpa para irresponsabilidade no amor.
Então desta vez as trevas da noite duraram mais tempo, pois nuvens encheram os céus, escondendo o brilho da Lua Nova de Nana.
Teria sido esta talvez a forma que os grandes deuses escolheram para fazer o impetuoso Nana revelar a todos o seu amor por Ningal?
Na região dos pântanos, Ningal olhava impacientemente para os céus da noite, mas manteve silencio sobre o desejo do seu coração.
Ela sabia que Nana estava lá fora, alem das nuvens pesadas e escuras, e exerceu paciência para esperar pelo seu retorno.
Uma primeira, uma segunda e uma terceira noite sem luar se sucederam desde a Lua Nova. Nana, encoberto por nuvens densas e escuras, não podia ser visto em nenhum ponto dos céus.

'Amado, quando outra vez?’ começou a se perguntar Ningal, dúvidas entrando no seu coração. Difícil ainda mais era ter de guardar o silencio só para si, não poder dividir suas preocupações com a mãe, que provavelmente teria algo para sugerir, ou dizer-lhe o que fazer para ver Nana mais uma vez.
Foi então que um forasteiro, trajando uma longa capa com um grande capuz, chegou à casa de juncos de Ningikuga e Ningal.
Quando o estranho cruzou o limiar do portal da casa, saudando a donzela e sua mãe com a cortesia de um príncipe, como se ele mesmo fosse o filho de um dos grandes deuses, Ningal, com a intuição aguçada de amante, reconheceu o forasteiro por quem ele realmente era: Nana em disfarce.
Seu coração deu um salto de alegria, cheio de antecipação, mas por causa do pacto de segredo por eles jurado, Ningal nada disse, esperando o desenrolar dos acontecimentos.
Depois de ter-se alimentado e bebido, o viajante enumerou a Ningal e Ningikuga todos os produtos deliciosos que ele diligentemente havia reservado para a querida de seu coração, caso ela fosse encontrá-lo mais tarde aquela noite na região dos lagos.
Ningal sentiu o calor subir ao rosto, e imediatamente seus olhos voaram para a face de, Ningikuga, que levantou uma sobrancelha interessada e começou a bombardear o viajante com perguntas sobre a sua jovem amada, se os pais de ambos já tinham combinado o enlace, se os presentes correctos já haviam sido trocados entre as famílias, enfim, perguntas sobre todos os detalhes que antecediam ao Casamento Sagrado dos jovens da Casa dos Anunaki.

‘ Será que estou vendo bem, mas mamãe, sempre tão reservada com estranhos, hoje tem olhos risonhos e está toda falante com o estranho?
Ningal se perguntou, entre curiosa e alarmada.
‘O jeito que mamãe olha para ele, as perguntas que está fazendo a um forasteiro a quem ela nunca viu.....’

De repente, Ningal compreendeu tudo e seu rosto ficou ainda mais vermelho.
Nada que acontece em todos os mundos não poderia ocorrer sem ser sabido pelos grandes deuses.
Eles simplesmente tinham descoberto que ela e Nana haviam se encontrado para se amar.

‘ Oh, Nana, nós somos uns bobos,’ ela se deu conta.
‘ Mas eu não irei mais para os pântanos ao teu encontro e esconder o que não pode e não tem razão de ser escondido.
Desta vez, eu darei as cartas na nossa relação!’

Em voz alta, ela disse ao forasteiro, tendo encontrado uma nova força no amor que sentia por Nana, no seu poder de donzela e deusa ciente do seu poder de mulher, na confiança que tinha no ela e Nana poderiam construir juntos:

- Mesmo se o senhor fosse Nana, o deus da Lua, o escolhido do meu coração e companheiro da minha alma, eu não iria ter consigo mais tarde, hoje à noite.
Não até que Nana houvesse enchido os rios com as enchentes da primavera para assegurar a fertilidade da terra, não antes que ele tenha feito os grãos crescerem nos campos, que faça mais peixes nadarem nas águas das lagoas, ou cuide para que junco novo cresça nas margens dos rios, para que os animais da floresta, as plantas das áreas secas e vinho e mel sejam cultivados nos pomares dos palácios e nas terras deste povo.
Então e apenas então, quando o Príncipe da Noite tiver provado que quer ser meu grande amor e protetor da agricultura e pecuária desta terra, no tempo e na estação certos, tendo cumprido os ritos sagrados, somente então eu deixarei os pântanos pelo palácio real de Ur.
Só então ele e eu estaremos prontos para partilhar do trono e do leito da realeza, para sermos ambos Soberanos e Protetores daquela grande cidade e de toda esta terra.

Um silencio carregado de eletricidade seguiu as palavras de Ningal.
Como a atenção da donzela estava totalmente no Estranho, Ningal não viu o sorriso de aprovação que brilhou como um facho de luz na face de Ningikuga ou a sobrancelha que a Deusa dos Juncos ergueu na direção de Nana.
Como será que o impetuoso Senhor da Lua iria reagir as palavras de Ningal?
Nana recuperou-se da surpresa, riu e fez uma graciosa e profunda reverência para as duas deusas, dirigindo-se primeiro a Ningal:

- Que o seu amado tenha prestado atenção às suas palavras sábias, gentil donzela, a primeira e única na alma do Deus da Lua.
Você é realmente a futura Grande Deusa de Ur, consorte e esposa de Nana, a Tocha da Noite. Ele dirigiu-se então para Ningikuga:

- Os meus sinceros agradecimentos, Grande Senhora, pela hospitalidade, e peco-lhe humildemente desculpas por qualquer dano que minha impulsividade tenha causado.

A compostura, humor e alegria de Ningikuga davam gosto de se ver.

- Todos os filhos e filhas da casa sagrada dos Anunaki são também meus filhos e filhas, ela respondeu com grande gentileza.
Eu lhe desejo muita sorte, Estranho, na corte da sua Amada.
Com a experiência e o amor de mãe, eu lhe recomendo, jovem senhor, amá-la profundamente, tratá-la como sua consorte e rainha.
E quando chegar o momento adequado, conforme os ritos e costumes sagrados, não se esqueçam os DOIS de me participar do evento, de me enviar um convite para este tão lindo e esperado evento!

Dois rostos jovens mostraram tanta alegria quanto embaraço.
Mas Ningikuga não se deu por achada, continuando firme na representação do papel de nada saber (afinal, ela não havia sido informada de nada,..), e em grande estilo, retirou-se para os seus aposentos, deixando toda a privacidade para Nana e Ningal.
Foi assim que a Deusa dos Sonhos prendeu pelo amor a impetuosa Tocha da Noite.
Eles se casaram em Ur, ao final da primavera, quando os primeiros frutos e laticínios da terra estavam prontos para serem levados às mesas.
Não mais sozinho, o Deus da Lua e sua adorada esposa tomaram um barco rumo a Nipur, para visitar Enlil e Ninlil, os pais de Nana.
O Deus da Lua e Ningal carregaram o barco com as primeiras frutas da estação e os primeiros produtos do leite e dos rebanhos do ano.
A cada porto ao longo do caminho até Nipur, Nana e Ningal deram e receberam presentes dos guardiões das cidades visitadas.
Mas o maior presente de todos Nana recebeu da Senhora de seus sonhos:

- Nana, tocha maravilhosa que ilumina a minha vida, disse-lhe Ningal, dentro de mim carrego agora tuas sementes, nossos filhos da luz.
Primeiro, darei à luz a uma menina.
Ela terá o nome de Inana, a Primogênita do Deus da Lua, a Estrela Matutina e Vespertina, que será a grande Deusa do Amor e da Guerra, Amante e Amada unidos numa só alma.
Sábia, apaixonada, sensual, vibrante, tudo isto e muito mais ela o será, a personificação do Amor, tanto espiritual, como físico e mental, ela será a Luz Interior que trará brilho, paixão, cura e compleitude a tudo e a todos em todos os mundos e esferas.
E para dar a nossa filha um irmão, que ele seja uma criança de igual brilho exterior.
Chamá-lo-ei de Utu, o Sol, Luz do Dia, que ira iluminar todos os mundos enquanto tu, meu amor, estiveres ausente.
Que todos portanto saibam que o Senhor da Luz de Prata que brilha na noite e a Deusa dos Sonhos, sua grande amada, darão ao mundo as estrelas celestes mais brilhantes para dar alma nova as vidas de todos os grandes deuses e da humanidade!
E tendo assim declarado, que seja feito segundo a minha vontade!


http://www.angelfire.com/me/babiloniabrasil/nannin.html

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Entrando em contacto com as Fadas


Está na Natureza a essência de todas as crenças e religiões.
O primeiro passo para vivenciarmos o "Divino" está em observarmos a Natureza e nos unirmos à beleza de sua Criação.
A simples caminhada em parques que possuam muito verde, já nos dará sábios ensinamentos. Se tiver oportunidade, sente-se no topo de uma colina e contemple os campos e bosques
Deixe então sua mente voar livre para um outro tempo, imaginando como deveria ter sido este local há milhões de anos atrás.
Tais pensamentos farão despertar sua memória ancestral genética que lhe foi transmitida e que agora está disponível e reverente.
Lembre-se que você é descendente directo de um antigo pagão que já sabia o que deseja saber agora.
Se você possui um lindo jardim, considere-se uma pessoa com muita sorte, pois poderá realizar esta viagem astral no meio dele.
Caso você more em apartamento, um planta qualquer que dê flores, poderá lhe ajudar a se conectar com os ciclos da vida da Natureza.
O pequeno acto de cuidar de uma plantinha ou de seu jardim já é capaz de gerar uma vibração em sua aura que pode ser detectada pelas formas de vidas silvestres.
Através desta vibração, sua presença é percebida e as fadas por certo não ficarão indiferentes, pois elas são entidades mágicas envolvidas com a força vital das plantas e dos animais.
Ao criar um elo mental com esse conceito através da emersão nos ciclos vitais da Natureza (e de suas caminhadas pelos parques), fica mais fácil alinhar-se com os espíritos da Natureza.
Acreditar nas fadas e nos espíritos da Natureza é parte integrante da consciência mágica de todo o pagão.
Isso fortalece as forças que mantêm e direccionam a sincronicidade em nossas vidas.
Não somos viajantes sós, pois sempre temos ao nosso lado um guia espiritual, ou espíritos de familiares e um grande número de espíritos da Natureza.
Através deles nos ligamos à própria fonte dos mistérios, nos ligamos a outros Mundos e outros Seres.
Nos ligamos à Fonte Primordial, que é aquela que nos gerou e para a qual um dia retornaremos.

Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto

Fadas

Crê-se que a figura da fada é uma reminiscência da antiga Deusa e algumas fadas eram chamadas pelo povo de "rainhas", "senhoras", "deusas", "avós" e "destinos" e deste último sentido talvez derive o seu nome fadas, do latim fata.
Os seus poderes, tal como os das divindades, eram imensos, incluindo a capacidade de transformar seres humanos em qualquer objecto.
Tinham uma aparência humana mas eram feitas de um material volátil que lhes permitia materializar e imaterializar livremente em qualquer forma na natureza que desejassem. Na tradição medieval, as fadas eram consideradas mulheres de aparência absolutamente normal que tinham capacidades mágicas e sobrenaturais.
As fadas eram também associadas à Lua e dizia-se que seguiam as antigas religiões pagãs do culto da Deusa.
Estas fadas eram consideradas feiticeiras cujo país tinha existência real e se situava, por vezes, em ilhas distantes, como a mítica Avalon e as ilhas Afortunadas ou, ainda, num local situado entre o Inferno e o Paraíso.
Alguns povos acreditavam que as tumbas antigas eram portas para o reino das Fadas, um mundo de fantasmas e espíritos temido pelos humanos.
A sabedoria das fadas era algo inquestionável e as pessoas na Idade Média pediam a sua protecção e agradeciam-lhes com oferendas várias, inclusive comida e bebida que deixavam em locais especiais.
A Igreja definiu por fim que as fadas não eram almas penadas e portanto só poderiam ser espíritos que, como estavam longe do seu domínio, só poderiam ser maus.
Assim, as fadas tornaram-se nos "bodes expiatórios" de todos os males, fossem a doença de animais ou de pessoas que, quando inexplicáveis à luz dos conhecimentos da época, eram considerados "possuídos" pelas fadas.
Algumas crianças com atrasos mentais eram deixadas pelos pais com a justificação de que tinham sido trocadas pelas fadas.
Mais tarde, as fadas deixaram de estar presentes como fazendo parte da realidade e passaram a habitar o mundo infantil através dos contos de fadas, como seres bons e protectores.
Em Portugal, a figura da fada foi muitas vezes associada à personagem da moura encantada que premiava a coragem e a lealdade com riquezas, para além de proteger os apaixonados.
A origem da versão moderna da fada foi popularizada através dos contos de Charles Perrault, a partir do século XVII.

Mestra da magia, a fada simboliza os poderes paranormais do espírito ou as capacidades mágicas da imaginação.
A fada realiza as mais extraordinárias transformações e, num instante, satisfaz ou rejeita os desejos mais ambiciosos.
Talvez ela represente o poder do homem de construir com a imaginação os projectos que não pôde realizar.

A fada irlandesa é, por essência, a banshee, de quem as fadas de outros países célticos não são mais do que equivalentes mais ou menos alterados ou semelhantes.
À partida, a fada, que se confunde com uma mulher, é uma mensageira do Outro Mundo.
Muitas vezes viaja sob a forma de ave, de preferência de cisne.
Mas esta qualidade não pôde continuar a ser compreendida a partir da cristianização, e os transcritos fizeram dela a figura de uma enamorada que vinha à procura do eleito do seu coração.
A banshee é, por definição, um ser dotado de magia.
Não está submetida às contingências das três dimensões, e a maçã, ou o ramo, que ela entrega tem qualidades maravilhosas.
O mais poderoso dos druidas não consegue reter aquele que ela chama e, quando ela se afasta provisoriamente, o eleito fica prostrado.

Shakespeare mostrou maravilhosamente, com a rainha Mab, a ambivalência da fada, que é capaz de se transformar em feiticeira:

Oh, vejo, pois, que a rainha Mab vos visitou.
Ela é a parteira das fadas, e quando aparece
A sua forma não é maior que uma pedra de ágata
No indicador de um almotacé
Puxada por um conjunto de pequenos átomos…
… é sempre esta mesma Mab
Que entrança a crina dos cavalos à noite
E com os seus cabelos viscosos
Fabrica nós mágicos
Que, desembaraçados, trazem grandes infortúnios.
É a feiticeira…


(Romeu e Julieta, Acto I, Cena 4)

Com efeito, os palácios que as fadas evocam e fazem cintilar na noite desaparecem num instante e não deixam senão a lembrança de uma ilusão.
Situam-se, na evolução psíquica, entre os processos de adaptação ao real e da aceitação de si, com os seus limites pessoais.
É costume recorrer às fadas e às suas ambições desmedidas.
Ou então elas compensam as aspirações frustradas.
A varinha e o anel são as insígnias do seu poder.
Elas apertam ou soltam os nós do psiquismo.

Parece fora de discussão as fadas do nosso folclore não serem senão, na sua origem, as Parcas romanas, elas próprias transposição latina das Meras gregas.
O seu próprio nome – Fata, Fado ou Destinos – prova isso.
Ainda hoje têm este nome na maioria das línguas latinas, e a sua raiz pode ser encontrada na sua descendência e nos inumeráveis pequenos génios que a imaginação popular, na sua sequência, criou: como, por exemplo, as fadas provençais, as fades da Gasconha, as fadettes e fayettes, as fadets e farfadets.
Geralmente reunidos em grupo de três, as fadas puxam do fuso o fio do destino humano, enrolam-no na roca e cortam-no, ao chegar a hora, com as suas tesouras.
Talvez na origem elas fossem as deusas protectoras dos campos.
O ritmo ternário, que caracteriza as suas actividades, é o da própria vida: juventude, maturidade, velhice, ou então, nascimento, vida e morte, que a astrologia transformará em evolução, culminação, involução.
Segundo as velhas tradições bretãs, por altura do nascimento de uma criança, preparam-se três talheres numa mesa bem provida, mas numa divisão isolada da casa, para que as fadas se dignem ser propícias.
São elas também que conduzem ao céu as almas das crianças nado-mortas e que ajudam a romper os malefícios de Satã.
Para melhor se compreender o simbolismo das fadas, é preciso ir além das Parcas e Meras, e ir até às Queres, divindades infernais da mitologia grega, espécie de Valquírias que se apoderam dos moribundos no campo de batalha, mas que, segundo a Ilíada, parecem também determinar a sorte e o destino do herói, ao qual elas aparecem apresentando-lhe uma escolha, de que dependerá o final benéfico ou maléfico da sua viagem.

A filiação das fadas, tal como acabamos de indicar, mostra que elas são, originalmente, expressões da Terra-Mãe.
Mas, ao longo da história, foram subindo pouco a pouco do fundo da terra até à superfície, onde, na claridade do luar, elas se tornam espíritos das águas e da vegetação.
No entanto, os lugares das suas epifanias mostram claramente as suas origens; com efeito, elas aparecem quase sempre nas montanhas, perto de fendas e de torrentes, nas inumeráveis mesas de fada ou nas profundezas das florestas, à beira de uma gruta, de um abismo, de uma chaminé das fadas, ou ainda perto de um rio bramante ou à beira de uma nascente ou de uma fonte. Estão associadas ao ritmo ternário, mas, se as observarmos de mais perto, elas demonstram ter também um ritmo quaternário: na música, dir-se-ia que o seu compasso é o três por quatro; três tempos marcados e um tempo de silêncio.
O que representa, de facto, o ritmo lunar e o ritmo das estações.
A Lua é visível durante três fases sobre quatro; na quarta fase, ela torna-se invisível, diz-se até que ela está morta.
Da mesma forma, a vida representada pela vegetação nasce da terra na Primavera, desaparece durante o Inverno, tempo de silêncio, de morte.
Se olharmos mais de perto contos e lendas relacionados com as fadas, vê-se que este quarto tempo das fadas não foi esquecido pelos autores anónimos destas narrativas.
É o tempo de ruptura, em que a epifania antropomorfa da fada se dissipa.
A fada participa do sobrenatural, porque a sua vida é contínua, e não descontínua como a nossa, e como a de todas as coisas vivas deste mundo.
Portanto, é normal que na estação da morte não a possamos ver, e que ela não apareça.
No entanto, ela existe sempre, mas sob uma outra forma, dependente, tal como ela, na sua essência, da vida contínua, da vida eterna.
As fadas nunca se mostram senão de forma intermitente, como que por eclipses, embora em si mesmas elas subsistam de forma permanente.
Poder-se-ia dizer o mesmo das manifestações do inconsciente.

Fadas Reais - O Cantinho da Estrela

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Lenda Árabe

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em determinado ponto da viagem discutiram. O outro, ofendido, sem nada a dizer, escreveu na areia:
Hoje, o meu melhor amigo bateu-me no rosto.

Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se.
O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo.
Ao recuperar pegou um estilete e escreveu numa pedra:
Hoje, o meu melhor amigo salvou-me a vida.

Intrigado, o amigo perguntou:
Porque é que quando te bati, escreveste na areia e agora escreveste na pedra?
Sorrindo, o outro amigo respondeu: "Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração onde vento nenhum do mundo poderá apagar".

O vento que sopra nas flores

Há vários anos atrás, em Seattle, Washington, vivia um refugiado tibetano de 52 anos de idade.



"Tenzin", é como vou chamá-lo, foi diagnosticado como portador de uma forma de linfoma das mais fáceis de curar.

Foi internado num hospital e recebeu a primeira dose de quimioterapia.
Mas durante o tratamento este homem, normalmente gentil, tornou-se agressivo e irritado; arrancou a agulha intravenosa de seu braço e negou-se a cooperar.
Gritou com as enfermeiras e discutiu com todos ao seu redor.
Os médicos e enfermeiros ficaram desconcertados.

Posteriormente, a mulher de Tenzin explicou ao pessoal do hospital que Tenzin tinha sido prisioneiro político dos chineses durante 17 anos.
A sua primeira esposa tinha sido morta e ele próprio foi repetidamente torturado e brutalizado durante o tempo em que esteve preso.

As normas e regulamentos do hospital, juntamente com a quimioterapia, fizeram Tenzin recordar todo o sofrimento tinha passado nas mãos dos chineses.

"Eu sei que vocês querem ajudá-lo," explicou ela , "mas ele se sente torturado pelo tratamento, que faz com que ele se sinta da mesma maneira que os chineses o fizeram sentir.
Ele prefere morrer do que viver com o ódio que ele está sentindo agora e, de acordo as nossas crenças, é muito mau albergar tamanho ódio no coração na hora da morte. Tenzin precisa de rezar e limpar o seu coração."

O médico deu alta a Tenzin e encarregou uma equipa da clínica de repouso de visitá-lo em casa.
Eu era a enfermeira encarregada de cuidar dele e entrei em contacto com um representante da Amnistia Internacional para lhe pedir conselho.
Ele disse-me que a única forma de sanar o trauma da tortura era falar sobre a questão.
"Esta pessoa perdeu a sua confiança na humanidade e sente que a esperança é impossível."
Mas quando eu encoragei Tenzin a falar sobre suas experiências, ele ergueu a mão e pediu-me para parar.

Ele disse-me, "Eu preciso de aprender a amar de novo se quiser curar minha alma.
A sua tarefa não é fazer perguntas, é ensinar-me a amar novamente."

Respirei profundamente e perguntei, "E como eu posso fazê-lo amar de novo?"
Tenzin respondeu prontamente, "Sente-se, tome o meu chá e coma os meus biscoitos."
O chá tibetano é um chá preto forte, coberto com manteiga de iaque e sal.
Não é fácil de bebê-lo, mas foi o que eu fiz.

Durante várias semanas, Tenzin, sua mulher e eu nos sentámo-nos juntos e tomamos chá.
Também conversávamos com os médicos para encontrar formas de tratar as dores físicas.
Mas era sua dor espiritual que deveria ser diminuída.
Cada vez que eu chegava, via Tenzin sentado na cama, de pernas cruzadas, recitando preces.
A sua mulher ia pendurando mais e mais 'thankas', bandeirolas budistas coloridas, nas paredes.

Rapidamente o quarto ficou semelhante a um colorido templo religioso.
Quando a Primavera chegou, eu perguntei o que os tibetanos faziam quando estavam doentes na Primavera.
Ele abriu um grande sorriso e disse, "Sentamo-nos e aspiramos o vento que sopra nas flores."
Eu pensei que ele estava falando poeticamente, mas suas suas palavras eram literais.

Tenzim explicou-me que os tibetanos o fazem para serem pulverizados com o pólen das flores, levado pela brisa.
Acreditam que esse pólen é um potente medicamento.
Num primeiro momento, encontrar flores em quantidade suficiente parecia-me um pouco difícil, mas um amigo sugeriu que visitassemos algumas floriculturas locais.
Eu telefonei para o gerente de uma floricultura e expliquei-lhe a situação.

Sua reação inicial foi "Você quer o quê???"
Mas quando eu expliquei melhor o meu pedido, ele concordou.

No fim-de-semana seguinte fui buscar Tenzin, a sua mulher e suas provisões para a tarde: chá preto, manteiga, sal, xícaras, biscoitos, almofadas e livros de orações. Deixei-os na floricultura e combinei ir buscá-los às 17 horas.
No fim-de-semana seguinte, visitámos uma outra floricultura.
E mais outra no terceiro fim-de-semana.

Na quarta semana, eu comecei a receber convites das floriculturas para Tenzin e sua mulher voltarem novamente.
Um dos gerentes disse, "Nós temos uma nova remessa de nicotianas e lindas fuchsias. Ah, sim! E temos belas dafnias.
Eu sei que eles vão adorar o perfume das dafnias!
E eu quase me esqueci!
Temos uns novos bancos de jardim que Tenzin e sua esposa vão adorar!"
No mesmo dia, outra floricultura ligou dizendo que eles tinham recebido cataventos coloridos para Tenzin saber em que direção o vento soprava.

Em breve as floriculturas competiam pelas visitas de Tenzin.
As pessoas começaram a preocupar-se com o casal tibetano.

Os empregados arrumavam os móveis de frente para o vento.
Outros traziam água quente para o chá.
Alguns fregueses regulares deixavam seus carrinhos de compras próximos do casal.
E quando, no final do verão, Tenzin voltou ao médico para fazer novos exames e determinar o desenvolvimento da doença, não se encontrou nenhuma evidência de cancro.
O médico ficou espantado e disse à Tenzin que não conseguia explicar aquilo.

Tenzin levantou o dedo e disse, "Eu sei porque o cancro desapareceu: não podia continuar a viver num corpo tão cheio de amor.
Quando eu comecei a sentir a compaixão das pessoas da clínica, dos empregados das floriculturas, e de todas essas pessoas que queriam saber de mim, comecei a mudar por dentro.
Agora, eu me sinto afortunado por ter tido a oportunidade de ser curado dessa forma.
Doutor, por favor, não acredite que a medicina é a única cura.
Às vezes, a compaixão também pode curar um cancro.

O Vento Que Sopra nas Flores
Uma História Tibetana De Cura
Lee Paton

De Guerreiras a Deusas

Há muitos tipos de mulheres em nossa sociedade, mas a que clama mais alto para a cura, é a Guerreira Ferida.
Há as que almejam transformar-se em Deusas, mesmo que inconscientemente, afinal é esse o grande objectivo.
Quem é a Guerreira Ferida?
A Guerreira Ferida é poderosa, independente, auto confiante e bem sucedida - porque assim têm que ser.
Mesmo assim, elas se ressentem com toda a responsabilidade e obrigação que acompanha o seu papel.
Elas são as únicas ao redor que resolvem tudo, e resolvem tudo rápido e perfeitamente.
Elas são amargas (pelo menos interiormente) em relação aos homens, mas pouco fazem para transmutar esta amargura, que cresce incontrolável.
Elas vêem os homens como o sexo mais fraco, respondendo emocionalmente e agindo ilogicamente - quando eles agem, de nenhuma maneira.
Elas pensam que os homens são somente bons para uma coisa - afastar os móveis.
Bem, duas coisas, talvez.
Há muito tempo, que elas abandonaram a fantasia de um príncipe num cavalo branco ou do Príncipe Encantado.
Elas são sofridas, iradas.
Elas conscientemente ou agressivo-passivamente buscam a desforra contra os transgressores masculinos nesta sociedade patriarcal.
Elas respeitam outras Guerreiras, apesar disso não têm tolerância pelas mulheres "mais fracas", que não carregam a espada da Guerreira.
Elas são ou foram uma boa esposa e uma boa mãe, protegem e sustentam a sua família.
Até agora, Elas expressam até estes papéis através da postura de um guerreiro.
Elas estão cansadas de lutar.
Elas exibiram as suas feridas da batalha orgulhosamente no passado, mas agora que Elas crescem entediadas com a conquista.
A sua armadura é pesada e Elas ambicionam removê-la para sempre.
Elas anseiam pela Deusa dentro de si; ainda que acreditem, Elas não podem sobreviver sem a sua espada da Guerreira.
Deixem-me apresentá-las ao - poder da Deusa.
Quem é a Deusa?
A Deusa é simplesmente – a incorporação do Divino num corpo feminino.
Ela tem discernimento e age com integridade.
Ela tem uma essência de paz interior que é inabalável.
A Deusa irradia uma energia que é tão poderosamente bela, amorosa e suave, que os outros são atraídos para ela como um íman.
Ela pode ter sido uma Guerreira Ferida numa fase, mas ela curou as suas feridas.
Ela liberou a raiva, a dor, o medo, a culpa e o julgamento.
Ela tem se libertado dos sentimentos de traição e de abandono.
Ela substituiu estas emoções vibracionalmente inferiores pela compaixão e alegria.
Ela transformou as suas crenças limitadas, as atitudes, e padrões de pensamento numa aceitação amorosa por todos, como eles são.
Ela não tem necessidade de mudar alguém, pois ela vê o Divino em todos os seres.
Ela compreende que qualquer ataque é simplesmente uma demonstração de medo.
Ela se lembra do medo, e ainda sabe como neutralizá-lo com seu fluxo ilimitado de amor.
A Guerreira Ferida e a Deusa - dois arquétipos femininos poderosos.
Um cansado e ferido; um radiante e curado. Como a Guerreira ficou ferida?
E como ela pode se transformar em uma Deusa?
Para responder a estas questões, Elas devem primeiro compreender como a energia se move nos humanos.
O que são Padrões de Energia Masculinos e Femininos?
Os seres humanos têm uma capacidade de armazenar dados de memórias subconscientes guardados em seu ADN de seus ancestrais.
Algumas culturas acreditam que vivemos outras existências, e estas memórias estão guardadas em seu ADN, também. Com toda esta história, quando o ego faz uma varredura, ele encontra quase sempre uma situação similar, onde Elas foram feridos.
Então ele ergue as defesas para evitar que Elas sejam feridos novamente.
O ego pode levantar sentimentos de medo e de dúvida.
Ele pode iniciar pensamentos, crenças ou memórias que os distraem de participar da situação.
Algumas vezes, ele cria obstáculos que os impedirão de participarem, tais como limitações de tempo, reveses financeiro e até doenças.
Ele fará qualquer coisa para proteger de eventuais dores.
Protege até demais, porque filtra tudo, mau e bom.
Estas defesas limitam os movimentos, mesmo daquelas guerreiras que já perceberam que têm de mudar, e reagem sempre da mesma maneira.
Se Elas reagirem do mesmo modo, Elas obterão os mesmos resultados.
Nenhuma experiência nova pode vir disto.
Elas não podem crescer com isto.
Elas estão casadas com a monotonia.

Baseado no belíssimo texto de Suzanna Kennedy

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Trânsitos de Plutão

Plutão - Se isto é transformação, porque dói tanto?



Quando estamos com um trânsito de Plutão a um planeta ou a um ângulo natal, comportamo-nos temporariamente de uma forma que não é habitual:

*podemos ficar obcecados pelo passado
*podemos demonstrar níveis de ressentimento
*perdemo-nos nos nossos pensamentos
*ficamos profundamente pesarosos
*ou intensamente meditativos
*podem surgir eventos associados aos valores da Casa 8: dinheiro, sexo, morte e nascimento
observamos ou participamos em lutas pelo poder.

Em resumo: estamos cercados pelo poder transformador de Escorpião.
Transformação?
Quem falou em transformação?
Pois sim, com Plutão, temos que enfrentar o renascimento da Fénix em nós e enfrentar esse processo de transformação.
E não temos escolha: só podemos aceitar.
Mas dói muito. Muito, mesmo.
O propósito deste apontamento é ajudar a entender o que nos pode estar a acontecer e encontrar maneiras de trabalhar com a energia do trânsito, em vez de lutarmos contra ela. Plutão fica retrógrado uma vez por ano, durante cinco meses, fazendo as dores parecerem mais íntimas e intensas.
Como o seu andamento é muito lento, raramente se afasta do seu objectivo: o aspecto ao planeta ou ao ângulo natais.
Raramente podemos perceber qual será o resultado do trânsito.
Plutão anda para a frente e para trás nos seus movimentos cósmicos.
Habitualmente só conhecemos o resultado definitivo dois ou três anos depois, apesar de hoje em dia ser comum as pessoas dizerem que ficou tudo percebido.
A diferença na força como reagimos aos trânsitos de Plutão são distintas para os optimistas e para os pessimistas.
Os optimistas resolvem um nadinha melhor os trânsitos de Plutão. :)
O que descobri, em termos pessoais – com uma oposição simultânea de Plutão em trânsito ao meu Sol [em Gémeos, na 1] natal e uma conjunção de Plutão à minha Lua [em Sagitário na 8] –, é que sendo eu um optimista inveterado (Lua em Sagitário / 8 e Júpiter em Aquário / 9), de pouco me serviu a metafísica do positivismo, ao enfrentar estes trânsitos, dos mais difíceis até hoje, no meu mapa.
A maneira como me senti ao longo desses cinco anos com os 2 trânsitos em simultâneo, a maior parte do tempo, nem sempre se coaduna com o meu optimismo básico.
Pensei muitas vezes que estava a ser submetido a uma operação, sem anestesia.
Libertei-me do passado, obcecando-me com ele.
Chorei intensamente por acontecimentos ocorridos há quase trinta anos.
Fiquei zangado ao reviver histórias antigas.
Distanciei-me dos velhos amigos, ao criar novos interesses na minha vida.
Revivi situações da infância.
As mulheres (Lua) da minha vida desapareceram e chegaram outras que também desapareceram e só na última "voltinha" é que permaneceram algumas amigas.
Tantas e tantas situações.
Hoje, tento ajudar os outros a enfrentarem os seus demónios interiores.
Que mudança!
Mas será que ainda sei lidar com os meus trânsitos de Plutão?
Um bocadinho mais, mas isso não evita que sinta intensamente esses trânsitos.
Aprendi a aceitá-los. Já não resisto.
Um trânsito de Plutão significa que não podemos esconder-nos mais do passado.
Acontece que, durante anos, acumulámos em nós uma tal quantidade de capas e reservas que é necessário muito esforço para retirarmos tudo isso e aceitarmos quem somos.
Acumulámos tanto lixo psíquico, que libertarmo-nos disso, é um projecto para toda a vida.
Todos nós precisamos caminhar para a frente, mas parece que somos incapazes de abandonar o passado.
Continuamos apegados à imagem que temos de nós mesmos.
Plutão ajuda-nos ou, melhor dizendo, força-nos à renúncia.
Os planetas lentos ajudam-nos a desenvolver uma consciência ligada ao divino.
Os trânsitos dos planetas lentos impelem-nos a nos abrirmos à mudança e a tentarmos perceber que o divino está em nós.
Que somos Ele, em aprendizagem na crosta terrestre.
Se não quisermos extinguir como os dinossauros, precisamos aprender a mudar à medida que o mundo se transforma – e os que não puderem ou não quiserem, acabarão virando relíquias. Plutão diz: “Muda, renuncia ao passado; aceita a transformação que te apresento.
Mas dói muito. Porque é um trânsito que nos leva à velha distinção entre a personalidade e a alma.
No nível da personalidade, o trânsito de Plutão pode ser um inferno para atravessar.
No nível da alma, pode ser a melhor coisa que nos acontece.
Precisamos aprender a ver com os nossos olhos interiores, não com os exteriores.
Há um propósito para a dor, mas o campo da nossa visão é muito limitado, ainda mais quando estamos mergulhados no "problema".
O nosso ego, que não quer sofrer, diz à nossa mente acharmos estes trânsitos muito maus porque doem.
Podemos sofrer de miopia espiritual e emocional, não sendo capazes de ver ao longe, bem longe, para aprendermos a razão para a dor.
É como fazer uma operação; estamos a cortar uma parte doente do corpo.
Logo depois da operação, dói terrivelmente, e quando isso acontece o corpo está a começar a curar-se.
Plutão parece-se com isto, mas para mais doloroso.
Quando temos um padrão muito arreigado na nossa vida, parece que NUNCA conseguiremos melhorar nessa área de vida.
E, desistimos.
É como, se no íntimo, disséssemos: “Seja o que Deus quiser.”
E, entregamos ao céu.
E aí, damos a volta no nosso contrário.
E, lentamente, muito lentamente, começamos a notar, aqui e ali, que algo está a mudar.
Que, de alguma forma, estamos a melhorar.
É quando desistimos dos nossos esforços para controlar a situação.
É quando aceitamos que essa área da nossa vida não vai mudar.
É quando reconhecemos que fomos derrotados.
É quando já não controlamos mais.
É quando aceitamos que as coisas estão fora do nosso controle e que seria necessário um milagre para resolver a situação.
É quando passamos por esse estado de derrota total.
É quando tocamos o fundo desse padrão em relação àquela situação das nossas vidas.
E temos que a entregar a um poder maior que nós mesmos.
E entregamos ao céu.
E tanto Plutão, como Quíron, Urano e Neptuno, colocam-nos em contacto com níveis do Ser acima da personalidade humana.
Levam-nos a contactar a nossa alma.
É aí, nesse contacto com a nossa alma, quando damos a volta no nosso contrário.
É Plutão no seu melhor Grande parte da dor que sentimos com os trânsitos de Plutão é reflexo e não causa; não é castigo, mas sim reajustamentos.
É consequência, que significa "seguir junto".
Ou seja, a consequência segue junto com alguns comportamentos em que estamos envolvidos e que nos provoca dor.
É inevitável.
Quando estamos enroscados em alguma coisa, e o trânsito de Plutão está a trabalhar para nos desenroscar, mas não queremos abandonar esse comportamento.
Resistimos. Queremos continuar com aquele velho padrão que nos está “matando”.
Muito do que é doloroso lá fora é um espelho do que está dentro de nós e é o que está a criar os nossos problemas.
Plutão força-nos a ver a verdade e, dói.
A verdade pode doer, mas liberta-nos.
Mas primeiro, antes dessa liberdade, ficamos de rastos. Vamos ao fundo.
No entanto, ver a verdade e deixar que as suas acções sejam guiadas por ela, é parte da cura. Somos teimosos, e queremos o queremos, quando queremos.
Acreditamos que sabemos o que é bom para nós.
Muitas vezes sofremos por não conseguirmos algo que seria devastador se tivesse ocorrido da forma que queríamos.
Muitas e muitas pessoas ficam amarguradas por não conseguirem o que querem à sua maneira ou por não terem o controle da situação.
Nem imaginam a quantidade de vezes que já ouvi esta frase, nas consultas de astrologia: "Eu era assim, agora não." Pois! A vida deu-lhes tanto na cabeça que tiveram que aprender à força.
Isto é Plutão. Inexorável!
É por isso que recomendo ser de grande importância que, quando fazemos as nossas co-criações, estas terminem sempre com uma frase semelhante a esta: “Ou que o céu faça o que for melhor para mim.” Temos aqui um exemplo possível de meditação: “Que eu tenha serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as coisas que posso e sabedoria para perceber a diferença.”
O isolamento terapêutico na nossa cultura gregária, uma pessoa que se afasta do padrão habitual é encarada como estando “estranha”, é encarada como sendo anti-social, mas muitas vezes, num trânsito de Plutão, o isolamento é curador.
Este isolamento dá-nos a oportunidade de não agirmos mediante velhos padrões.
Decidimos que não vamos fazer mais aquilo, mas não sabemos o que fazer em substituição e é aí que nos retiramos, nos isolamos.
Para reaprender.
Isso dá-nos a oportunidade para nos prepararmos para agir de modo diferente, quando tudo “aquilo” terminar.
Um tempo sozinho é particularmente eficaz.
Momentos de silêncio são fundamentais para escutarmos a voz da alma.
Particularmente quando alguém não consegue ficar sozinho, e entra em todo o tipo de interacções distorcidas, que envolvem controle e lutas de poder.
O isolamento e o silêncio terapêuticos são muito importantes.
As pessoas podem sentir que ficam bem sozinhas, que não irão morrer se não tiverem alguém por perto.
Os relacionamentos não são tão “vida ou morte” como pensamos que são.
Estar só devia ser uma aprendizagem para saber estar acompanhado.
Considerando o isolamento sob outro ângulo, a infelicidade nem sempre adora companhia; às vezes até detesta.
Há épocas que é doloroso estar com os outros e sofrer a sua falta de entendimento ou profunda indiferença.
É preferível, então, estar só e lamber as feridas, compreendendo-as e fazendo o auto-perdão. Podemos afastar as pessoas com a nossa raiva ou angústia.
É uma das formas de nos concentrarmos no nosso “eu” e assim iniciarmos a nossa cura, sem termos de estar preocupados com as necessidades dos outros.
Temos exemplos de reclusão e isolamento plutoniano: os períodos a seguir ao parto.
A necessidade de dar tempo a que surgisse uma nova identificação com o ser que tinha nascido. As sociedades modernas consideram estas reclusões como arcaicas.
É por isso que se fala tanto, hoje em dia, em depressão pós-parto.
Todos os períodos de perda são plutonianos.
Apenas o tempo nos pode fazer perceber a orientação dos nossos guias, e nem sempre tomamos o tempo suficiente para receber essa orientação no decorrer da nossa vida febril.
Nos tempos antigos, tínhamos os retiros e mosteiros.
Actualmente, a pessoa comum não tem nada parecido com isso, mas é pior, não tem consciência da necessidade disso.

Se sentir necessidade de um período de isolamento, faça-o.
É uma solução.


António Rosa
Editor da Editora Anjo Dourado e Editorial Angelorum NovalisEscola de Astrologia Nova-Lis